A imagem mental que o Ocidente tem do terrorismo e do extremismo pode não ser completamente precisa. A realidade é que muitas pessoas acreditam em equívocos grotescos.

1 - 11/09 poderia não ser o pior ataque da história

Os ataques de 11/09 são inigualáveis na história moderna em termos de perda de vidas, danos corporais sofridos e danos econômicos. Cerca de 3.000 pessoas morreram, e os que estavam próximos ao bombardeamento ainda podem estar morrendo de cânceres relacionados hoje.

No entanto, outros ataques planejados provavelmente teriam sido piores se tivessem sido bem sucedidos. Em solo americano, pelo menos um ataque chegou perto do impacto de 11/09. Em 22 de abril de 1997, quatro membros da KKK foram presos por conspirar para explodir uma refinaria de gás perto de Fort Worth, Texas. Autoridades mais tarde estimaram que o ataque teria matado até 30.000 pessoas, quase 10 vezes mais gente que 11/09. O horror só foi interrompido porque o líder do grupo se arrependeu e foi ao FBI.

O Japão também teve sorte. Em 1993, o culto Aum Shinrikyo lançou uma nuvem de antraz por Tóquio, colocando em risco cerca de 7.000 moradores. Foi por um golpe de sorte que o grupo acidentalmente adquiriu e lançou uma estirpe que era inofensiva para humanos. Apenas dois anos mais tarde, a mesma organização tentou detonar duas vezes bombas de cianureto no metrô de Tóquio. Autoridades afirmaram que uma única explosão bem sucedida poderia ter matado 10.000 pessoas.

2 - Terroristas americanos matam mais americanos do que jihadistas

Graças a 11/09, o jihadismo foi tachado o maior assassino em massa de americanos na história do terrorismo. Nos 14 anos desde então, extremistas islâmicos reivindicaram mais 26 vidas, sendo o ataque mais dramático o feito durante a Maratona de Boston. Porém, o jihadismo não é a fonte mais mortal do extremismo na América do Norte moderna.

Durante o mesmo período, terroristas nativos – crescidos nos EUA – mataram duas vezes mais americanos que o jihadismo. Depois do ataque de 11/09, 48 cidadãos norte-americanos perderam suas vidas para o extremismo de direita. Em 2012, por exemplo, o neonazista Wade Michael Page atacou um templo sikh, matando seis e ferindo gravemente outros três. Em junho de 2015, Dylann Roof (foto acima) matou nove pessoas quando abriu fogo em uma igreja em Charleston. Membros de um movimento anti-impostos chamado Sovereign Citizens Movement já mataram tantos policiais que o FBI os considera uma significativa ameaça terrorista.

Em 2010, Andrew Joseph Stack lançou um ataque suicida a um prédio governamental americano, matando mais uma pessoa e ferindo 13 outras. Como resultado direto de ações como estas, muitos departamentos de polícia americanos agora consideram o “terrorismo de direita” uma grande intimidação. Uma pesquisa com 382 policiais em 2015 descobriu que 74% listavam a violência contra o governo como a maior ameaça em sua jurisdição, em comparação com 39% citando a violência inspirada pela Al-Qaeda.

3 - A maioria das vítimas do terrorismo não vive no Ocidente

Quando vemos eventos como o de Paris sendo cobertos extensivamente pela mídia, pode parecer que o Ocidente é a maior vítima do terrorismo, que estamos sob cerco. É fácil supor que o alvo dos extremistas é “o mundo livre e democrático”. A verdade, no entanto, é que o Ocidente sofre poucos ataques em relação a determinadas áreas no resto do mundo.

Entre 2004 e 2013, os EUA foram atacados 131 vezes, com 20 ataques resultando em mortes. A França foi atacada 47 vezes. Em comparação, o Iraque sofreu 12.000 ataques terroristas, 8.000 dos quais foram mortais (a foto acima é de uma bomba lançada em Bagdá). No período de tempo estudado, cerca de metade de todos os ataques terroristas e 60% das mortes desses ataques ocorreram em apenas três países: Iraque, Paquistão e Afeganistão. Em seguida vem Índia, Nigéria, Somália, Iêmen, Síria, Sri Lanka e Tailândia. Esses dados vieram de uma Base de Dados Global sobre o Terrorismo (GTD), estatísticas que são compiladas por pesquisadores da Universidade de Maryland, nos EUA.

Não estamos querendo minimizar a tragédia de quaisquer ataques que atingiram o Ocidente. Não precisamos nem dizer que os inocentes mortos e os milhares afetados não mereciam tal fim. Mas a dimensão deve ser guardada: a grande maioria das vítimas de terrorismo estão vivendo no Oriente Médio ou na Ásia, não nos EUA ou na Europa.

4 - Espalhar uma religião ou ideologia é apenas uma parte do terrorismo

Ao tentar entender por que terroristas matam pessoas inocentes, existem duas escolas básicas de pensamento: uma que diz que os terroristas são simplesmente pessoas más que gostam de ferir pessoas (o que é idiota, para não dizer outra coisa), e a outra é que os terroristas estão tentando espalhar uma ideologia ou religião por meios violentos.

Enquanto esta segunda hipótese é mais provável, estudos mostram que não é tão simples assim. A maioria dos terroristas são motivados por razões mais complexas. Um estudo da Universidade Estadual de Ohio (EUA) com 52 extremistas islâmicos descobriu que o motivo esmagador dos seus ataques foi um desejo de vingança. Ao invés de ter metas religiosas, a maioria dos terroristas queriam punir os EUA por apoiar Israel ou simplesmente tinham raiva do país por conta das guerras no Afeganistão (foto) ou Iraque.

É fácil para nós, que estamos longe do Oriente Médio e seus conflitos, nos esquecer da história da região, que foi repetidamente invadida, colonizada e dividida contra sua própria vontade por forças ocidentais – existem motivos de sobra para que a Europa e os EUA sejam considerados inimigos dos que se sentem destruídos ou enganados por seus governos.

Outro estudo da Universidade de Michigan, nos EUA, foi ainda mais longe. Alegou que a maioria dos terroristas, que são tipicamente homens jovens, se juntam a grupos radicais porque estão à procura de aventura, camaradagem, status e mulheres.

Não queremos minimizar a gravidade do terrorismo, apenas destacar a importância de compreender os objetivos declarados de um grupo. A nossa compreensão dos objetivos do terrorismo deveriam levar em conta a História e as motivações individuais dentro das organizações.

5 - Estudos mostram que terrorismo não funciona

Terrorismo não significa tirar vidas. Significa “modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror”, ou ainda “emprego sistemático da violência para fins políticos”.

Mas estudos têm mostrado que, em vez de dar aos terroristas o que eles querem, mesmo de forma diluída, ataques indiscriminados contra civis geralmente não fazem nada a não ser minar a causa dos responsáveis.

Em um estudo de 2009 da Universidade George Mason, uma análise de 457 campanhas terroristas desde 1968 constatou que nenhum grupo extremista conseguiu conquistar um estado e 94% destes grupos não conseguiram alcançar nem mesmo um de seus objetivos declarados.

Obviamente, o estudo é um pouco antigo. Já se passaram mais seis anos, e podemos razoavelmente sugerir que ISIS tem contrariado essa tendência e conseguido esculpir um estado bárbaro semifuncional no Oriente Médio.

Mas o argumento ainda é válido. Apesar de décadas de luta, a Irlanda do Norte ainda é parte da Grã-Bretanha. Para todas as suas explosões e tiroteios, grupos de direita não conseguiram desencadear uma revolução ou derrubar o governo dos Estados Unidos. Mesmo a FARC, que sem dúvida chegou perto de derrubar o governo colombiano no final de 1990, agora está pensando em se desarmar.

Adaptado de Listverse

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